06 Abril 2009

Um olhar distante

O dia amanheceu tão cinza.
Seria um mal das segundas feiras?
Não. Na verdade, é o verão que se despede. Mas não sei dizer se o que está lá fora é outono, inverno, ou primavera. Tudo se confunde sob a chuva fina. As nuvens derretem, vertendo água e ressurgem sempre mais fortes e escuras.
Tive pensamentos que me assaltaram na calada da noite. Eles ficaram comigo porque o dia ainda não chegou, exceto por alguns raios de luz que escapam pelas bordas das nuvens que cobrem o céu.
Minha visão transpassa os horizontes esverdeados e as nuvens cinzentzas. E tudo isso parece maior do alto deste edifício. É interessante notar que quanto mais alto subimos, menores nos sentimos diante da imensidão do mundo que nos cerca. E muitas vezes, cegos pela ilusão de poder, não percebemos essa pequena verdade, encolhida em nosso coração.
Mas por mais amplos que sejam os horizontes, enxergo além deles. Pretensão? Não, não carrego nenhuma nestas palavras. Não sou como os políticos, tão visionários no discurso quanto cegos em seus atos. Cegos, propositalmente cegos enquanto esta cegueira lhes trouxer dividendos que possam ser contabilizados sobre as mesas. Quereria eu então me igualar aos grandes filósofos? Cientistas? Profetas? Afinal, quem penso que sou para querer ver além dos horizontes, tão inacessíveis, tão insondáveis para nós mortais?
A isto respondo: os horizontes estarão sempre lá, para quem os quiser desbravar. Basta olhar para eles e deixar que a imaginação faça o resto. E então ela atravessará as montanhas, alcançará as nuvens, descobrirá outro mundo possível além dos limites da visão.
Mas quem tem tempo de mirá-los?
Desbravar horizontes é um ato de desprendimento. Preciso esquecer tudo que me cerca. Desprezar o que é próximo e abraçar o longínquo. Esquecer o urgente e caminhar sem pressa. Sim, sem pressa, pois a urgência que temos para chegar à esquina não é a mesma que sentimos quando precisamos completar uma viagem de mil quilômetros.
Quem pode se dar ao luxo de não viver o mundo que o rodeia? Alguém com certeza poderia fazer esta pergunta. Como não se preocupar com tantos detalhes importantes? Com as contas a pagar, as pessoas ao redor, as tarefas por fazer? Não, não podemos nos dar ao luxo de olhar para o alto e tropeçar nos obstáculos, precisamos vencê-los, não é verdade?
Sim, respondo. Claro que nossas vidas são importantes.
Mas.... e quem pode se dar ao luxo de deixar de sonhar?

1 comentários:

Sorriso de anjo disse...

sonhar é que é um luxo, nem todos conseguem meu caro... felizes dos que sonham